Alguns dias se passaram desde que Lívia voltara das férias após encontrar Isaac e Karla aos beijos. Ele não a procurara e ela também não procurara por ele. Lívia estava com o coração partido, ao mesmo tempo em que sente pena de si mesma por ter sido tão ingênua em se aproximar de um homem como Isaac.
Lembrou-se da primeira impressão que tivera dele, e de todas as restrições que fizera até ceder. Os sinais sempre foram claros para ela. Ele não era um cara confiável. Ele não era merecedor de seu coração. No entanto, ela havia se deixado levar e agora estava ali, com o coração partido.
Faltava pouco mais de dois dias para que ela fosse embora e se mudasse para a Florida. Uma parte dela estava louca para ir e se livrar de Isaac e daquele sofrimento. Em compensação havia outra parte que queria ficar, que não desejava ir... Era duro. Elizabeth lhe dera todo o apoio. Havia ficado do seu lado e fez de tudo para mantê-la ocupada e longe de pensamentos inconvenientes.
Isaac desde quer voltara da Califórnia, procurou não pensar em Lívia. Estava claro para ele que o que ela queria era muito diferente do que ele podia oferecer. Ainda sim, ele sentia que a coisa entre os dois houvesse acabado de um jeito tão estúpido. Não considerava um beijo algo tão importante para a tempestade no copo d’água que Lívia havia feito. Estava chateado, ora ele não tinha anda com Lívia, podia beijar quem quisesse, podia ficar com quem quisesse, ela não era sua dona. E foi pensando assim que ele amenizou a falta que ela fazia na vida dele.
Era noite e Lívia estava fazendo as malas quando pegou uma foto da turma toda que estava em um porta-retrato ao lado de sua cama. Foi inevitável não buscar pelo rosto de Isaac na imagem.
Sentiu um aperto no peito, ele estava na foto, o cabelo loiro meio desarrumado em um penteado urbano, o mesmo sorriso cínico nos lábios... Sentiu um impulso de falar com ele uma última vez que fosse, sem que ela pudesse controlar os olhos ficaram marejados. O peito doía de saudade.
- O jogo sempre foi esse... – Ela disse para si mesma. – Nunca foi algo que eu pudesse considerar sério... Eu não devia ter me iludido tanto. – as lágrimas corriam pelo rosto.
Foi então que o telefone começou a tocar tirando-a do transe.
- Alo... – Ela atendeu com uma voz triste.
“Lívia...” – Isaac pronunciou o nome dela ao telefone.
Ela reconheceria aquela à voz em qualquer lugar e situação. Rapidamente ela limpou as lágrimas.
- Oi... – Foi a única coisa que ela conseguiu dizer. No peito o coração mal era contido pela caixa torácica tão forte que batia.
“Tudo bem?” – Ele perguntou, a voz séria.
- Sim, está tudo bem... – Ela começou a dizer e de repente sentiu-se uma idiota. Porque não estava tudo bem. Ela queria falar a ele tudo o que estava sentindo e quem sabe assim ao partir teria realmente posto uma pedra naquela história.
– Não Isaac não está tudo bem... – Ela disse em seguida. - Olha tem tanta coisa que eu preciso te falar antes de ir embora... Eu
“Eu vou para aí!” – Ele disse convicto.
- Não eu... – Ela tentou argumentar mais o alivio no peito foi imediato ao ouvir aquelas palavras...
“Pára, eu vou aí e a gente conversa!” – Ele disse.
- Não sei se é uma boa idéia Isaac... Eu to muito machucada. – Ela falou.
“Eu sei, é por isso mesmo que quero ir até ai e falar com você pessoalmente.” - Ele insistiu.
- Ok... Eu te espero então! – Ela afirmou desligando o telefone.
Lívia não tinha certeza se era uma boa conversar com ele, Isaac tinha o dom de lhe tirar o discernimento do que era certo e do que era errado. Ele a deixava zonza e incapaz. Ele era irritante quando sorria, e sexy quando fazia amor, tão sexy que só o fato de ele estar no mesmo local que ela e sozinhos a deixava completamente excitada. Ela jamais conhecera alguém como ele... Ele estava sempre tão seguro de si, e sabia fazer uma carinha de cachorro sem dono e inverter qualquer situação a seu favor. Era enervante e perigoso, muito perigoso ficar perto dele.
Em pouco tempo Isaac chegou e como de costume foi logo subindo e tocando a companhia cujo som fez Lívia sentir como se sua barriga estivesse cheia de borboletas. Nervosa, ela abriu a porta, precisava ser dura, precisava se controlar.
Assim que a posta se abriu, os dois se encararam por um breve momento. E então ela o abraçou sem receios ou ressalvas. Estava cheia de ter que se controlar, se aquela realmente seria a última vez, então ela ia aproveitar. Isaac a abraçou de volta.
- Eu vou sentir sua falta! – Ela disse quase chorando enquanto o abraçava.
Ele continuou calado sem dizer nada apenas acariciando os cabelos dela.
- Isaac... – ela o chamou voltando a olhar para ele. – Eu amo, amo você com toda a força do meu coração... – disse sem medo. E ao dizer aquilo sentiu como se estivesse colocando um veneno para fora, era tão bom dizer o que estava sentindo sem se importar com o que aconteceria depois.
- Eu sei... Nunca duvidei disso. – Ele deixou escapar.
- Eu não quero ir para um lugar onde você não vai estar... – Lívia completou seu devaneio, agora que havia começado iria até o fim.
Ele deu um meio sorriso e ainda abraçados disse para ela:
- Lívia, eu gostaria que as coisas entre nós dois fossem fáceis... Mas não é assim. – A voz dele era de mágoa.
- Eu sei que não... – Lívia suspirou. - E sei o motivo. – completou em seguida separando-se do abraço.
- Sabe?! – havia surpresa no olhar de Ike.
Ela esboçou um sorriso, sentia-se tranqüila como jamais se sentira antes.
- Hunrum... Você não me ama, não da mesma forma que eu amo você... – ela concluiu e não havia um pingo de pesar em sua voz.
Ele a olhou nos olhos como se estudasse a situação. Lívia era realmente uma garota cheia de surpresas.
- Isso não é verdade. – Isaac respondeu.
Novamente ela sorriu. Não queria mais jogos, só queria ser honesta e queria a honestidade dele em troca.
- Claro que é verdade!
- Não não é... – Ele insistiu.
- Se você me amasse, você me pediria para ficar, você não ficaria com a Karla, você me assumiria... – Lívia explicou seu ponto de vista.
- Então é assim que você enxerga as coisas? – Ele perguntou como se estivesse decepcionado.
- Como você enxergaria? – ela perguntou com receio.
- Eu vejo o amor de uma forma diferente... – Ike começou a explicar - Pouco usual, e imagino que eu seja o único que enxerga dessa forma. Nunca eu quis prender alguém do meu lado, fazer exigências. Eu gostei de você desde o instante que te vi... – disse.
- Você é livre para fazer o que for necessário para ser feliz! Eu jamais te pediria para ficar ou ir... – ele continuou explicando sob o olhar atento de Lívia. - Considero você uma mulher adulta que sabe o que quer. Nunca te cobrei nada, porque acho que a gente tem que dar as coisas porque quer e não porque é obrigado ou por causa das convenções da sociedade. Eu amo você do meu jeito, que pode não se aplicar ao jeito que estamos acostumados a ver, mas é o meu jeito. E do meu jeito eu me importo com você. Mas do que me importei com qualquer uma garota.
Ele havia dito que amava Lívia ou ela estava sonhando, o pulso dela acelerou.
- O fato de você ir morar na Florida não me impediria de ir te ver e de te trazer aqui sempre que fosse possível. Não me impediria de ter um relacionamento com você.
A última explicação de Ike foi um balde de água fria em Lívia, não era aquele o amor que ela esperava.
- Como o relacionamento que você tem com a Margot? –Ela perguntou debochada, estava começando a se sentir um lixo.
- Não! – ele disse rapidamente. - Eu disse a você que havia feito várias promessas a Margot e que ela havia acreditado em tudo, eu fazia um papel com ela. Eu jamais fiz isso com você... Eu sempre procurei ser eu mesmo e deixar em suas mãos decidir se esse tipo de amor que eu tinha para te oferecer era o suficiente para você... Lívia desde o inicio eu te mostrei quem eu era... Jamais fiz promessas para você que eu julgava não ser capaz de cumprir.
- Está certo. É verdade... Mas o fato de você ter sido como você diz “sincero comigo” desde inicio não muda o fato de eu ter realmente me apaixonado, feito planos... Eu sei eu sei que não devia ter feito, mas eu fiz, sou de carne e osso.... – Lívia explicou sentindo a dor no peito aumentar. - Eu não consigo dividir você com ninguém Isaac... – Ela afirmou. – Eu quero você inteiro, só para mim. Não suporto pensar que você dorme com outras, beija outras... Nunca suportei isso, eu apenas convivi com isso, mas não quer dizer que isso me fazia feliz. O que me fazia feliz era estar perto de você, dividir qualquer migalha do tempo que você me desse.
Os dois se olharam por um momento, sentiam que o ponto final estava próximo. Ambos pareciam ter colocado tudo para fora.
- Eu jamais quis te magoar... – Isaac disse.
- Mesmo assim eu me machuquei Isaac. – Ela reafirmou.
Era verdade que Isaac não lhe fizera nenhuma promessa e que desde o inicio ela sabia exatamente onde estava enfiando a mão. Mas era verdade também que os dois jamais haviam tido uma conversa como a que estavam tendo.
Ele jamais havia exposto seu ponto de vista para ela daquele jeito franco e ela nunca havia dito a ele como se sentia em relação aquele relacionamento.No fundo achou que os dois haviam jogado um jogo, cada um querendo ser mais forte, querendo ser menos dependente, querendo sem deixar nada claro
- Não sei por que estamos discutindo isso... Eu vou embora amanha, de um jeito ou de outro, não iremos mais nos ver. – Ela concluiu.
- Eu só queria que você soubesse que.... – Ele não não conseguiu terminar a frase.
Lívia o encarava.
- Se faz diferença Lívia, eu não quero que você vá embora... Eu não quero... – Ele disse olhando para ela e pela primeira vez Lívia viu “medo” no semblante dele.
Lívia sorriu.
- Faz diferença sim... – falou doce. – Mas não posso ficar aqui apenas por causa de uma aventura inconseqüente e cheia de percalços... Mesmo que tenha sido a melhor aventura que eu vivi. – ela tentava se manter serena.
- Olha, é melhor você ir, eu tenho muita coisa para arrumar... – Ela disfarçou a tristeza e começou a empurrá-lo para fora. – Não se preocupe, vai dar tudo certo.
- Você não me odeia então? – Ele perguntou.
- Nem que eu quisesse, conseguiria.
Isaac a abraçou e ela retribuiu o abraço.
Agora vai! – Ela ordenou.
- Li.. –Isaac a chamou.
- Oi...
Ele a olhou e então disse...
- Boa viagem!
Ela sorriu e ele se foi.
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Alguns meses depois....
Lívia estava em seu apartamento na Florida, o emprego ia bem, alias de vento em polpa, havia realizado grande negócios e recebera muitos elogios de seus chefes. Resultado de dedicação total ao trabalho.
Isaac ainda era uma lembrança forte e viva em seu peito, nunca mais falara com ele ou procurara saber dele mas vez ou outra via seu rosto na multidão ou se pegava lembrando de pequenos detalhes dos momentos que viveram juntos.
Por conta disso, não se envolveu com outra pessoa. Sempre que tentava era inevitável uma comparação onde o outro sempre perdia. Naquela noite ela havia feito um jantar especial para si e alugado alguns filmes para assistir. Havia saído tanto nas ultimas semanas que aquele era um fim de semana que ela desejava se curtir. Ia dar a primeira garfada quando o interfone tocou.
“Quem será essa hora?” – Ela murmurou para si.
- Alo...
- dona Lívia.
- Oi Sr. Jackson.
- Dona Lívia, chegaram flores para a senhora. Posso mandar subir?
- Flores?
- Sim senhora. Mando subir.
- Manda. –Ela pediu.
Suspirou, devia ser de Antony, o ultimo cara com quem ela saíra, tinham muito em comum, mesma profissão, gosto por filmes, etc. mas a química não havia rolado. Mesmo assim Antony ainda insistia em vê-la, devia ser mais uma das tentativas dele. A companhia tocou e ela foi abrir.
Era um vaso enorme de flores do campo, o vaso era tão grande que Lívia não conseguia ver o rosto do entregador. Ela pegou o cartão do vaso e disse:
- Entre, pode colocar em cima daquela mesa para mim por favor? – Ela pediu e o entregador entrou.
Ele passou por Lívia para colocar o vaso em cima da mesa, enquanto isso ela leu o pequeno cartão...
“Espero que ainda não tenha se esquecido de mim e que continue não me odiando, caso contrário, estou disposto a fazer você repensar sobre o assunto...
Senti tanto sua falta que não resisti e fiz uma loucura...
Quero te ver...
Isaac.."
O coração de Lívia começou a bater descompassado, ela respirou fundo quase sem fôlego e então quando olhou para o entregador, ele era ele...
- Isaac, o que....
- Você ainda sente o que sentia por mim? – Ele perguntou. – Por que o que eu sentia por você mudou... Evoluiu de uma forma que eu não esperava e agora tudo o que eu quero e ficar com você... Só com você! – ele disse sério e com receio na voz.
Lívia o encarou e sem pensar, ela correu para os braços dele.
- Eu continuo te amando... Do mesmo jeito! – Ela sorriu e disse antes dos dois se entregarem a um longo e demorado beijo de amor.
FIM
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Ufa!! Nem acredito que finalmente terminei esta fic para mim tão dificil de ser escrita, principalmente porque foi baseada em uma experiência real. Não tenho muito a dizer sobre essa fic, a não ser que eu gostei muito de escreve-la e que lamento por ter demorado tanto a concluí-la.
Não sei quantas pessoas a acompanhavam de verdade, quase não recebi recados a respeito dela, tirando a Renata que sempre falava comigo sobre ela ou a Grazi que acha o Ike dessa fic "gostoso"...
Ainda sim quero agradecer a todos que chegaram até aqui. Obrigada mesmo!!!
Se quiserem deixem um comentário de recordação, eu vou adorar.
Rovana
São Paulo, 16 de outubro de 2009. |