QUEM DE NÓS DOIS |
| CAPÍTULO 03 |
Na noite do jantar, Isaac parou o carro em frente ao prédio onde Lívia morava e subiu, tocando a campainha. Lívia abriu a porta nervosa. - Oi, tudo bem? – Ela disse meio sem jeito. - Oi. – Isaac lhe deu um beijo no rosto. – Está bonita. – ele elogiou. - Podemos ir? – Ela disse, cortando o assunto. - Claro. Vamos. Ele percebeu que ela estava um tanto tensa. E do alto de sua experiência, ele sabia o que tinha que fazer para tornar tudo natural. Os dois jantaram em um restaurante italiano e Isaac escolheu a massa e o molho. Lívia adorou ser paparicada e estava achando tudo divertido e ao mesmo tempo queria muito descobrir o que Isaac pretendia com aquele jantar. Ela sabia que nenhum homem como ele convida uma mulher para jantar sem que tivesse algo em mente. Isaac parecia extremamente à vontade e a tratava com dedicação, carinho e respeito. Várias vezes se pegou olhando para a boca de Lívia e relembrava o beijo. A verdade é que ele sabia o que tinha que fazer, estava atraído por ela, queria tê-la em seus braços novamente, só que sóbria. - Escuta você conhece a Time Square? – Isaac perguntou já no fim do jantar. - Sabe que não... – Ela respondeu. - Quer conhecer? – Ele falou como se fizesse um desafio. - O que você pretende Isaac? – Lívia resolveu perguntar. - Como assim? – Ele encostou as costas na cadeira procurando ficar a vontade e respondeu se passando por desentendido, embora tivesse entendido perfeitamente a pergunta dela. - Ora, não subestime minha inteligência. Você vai até minha casa, me convida para jantar, me traz até aqui, faz questão de pagar a conta, fala bastante a seu respeito, como se estivesse fazendo propaganda. É óbvio que pretende algo. – Ela falou, colocando os braços dobrados na mesa e se aproximando dele como se o desafiasse, depois o olhou enquanto bebia um gole de seu vinho. Isaac riu. - É claro que pretendo. – Ele voltou a posição de antes e se aproximou da mesa como Lívia. - Eu disse que queria desfazer a má impressão e é isso que estou tentando fazer. – Ele falou com uma naturalidade infantil. Lívia o olhou com ares de incredulidade, torcendo a sobrancelha. - Então. Quer ir ou não a Time Square? – Ele perguntou por fim dando fim aquele papo. - Vamos. – Ela falou. Lívia no fundo estava gostando daquele tipo que Isaac estava fazendo e queria dar corda para ver até onde ele chegaria. Ela ia adorar jogar água fria nas expectativas dele. Em pouco mais de 30 minutos os dois estavam na Time Square, havia muitas pessoas na rua, muitos espetáculos para começar. A Time Square é uma das avenidas mais famosas de Nova Iork, é onde fica a maioria dos espetáculos da Brodway. Vários letreiros iluminados por vários tipos de luzes chamavam a atenção. Lívia se sentia pequena diante de tanto chamariz. E procurava olhar tudo para não perder nenhum detalhe. Enquanto Isaac notava os olhos dela em uma expressão quase infantil, ela a puxava pelas mãos e procurava mostrar a Lívia tudo aquilo que ele achava mais interessante. Ele sabia que aquilo faria ela ver o quanto ele era informado. - Quer assistir algum? – Ele falou. - Não sei... está tarde. – Ela respondeu. - Pára de pensar no tempo... aproveita. A vida é muito curta para gente se preocupar com detalhes tão pequenos. – Ele falou sorrindo enquanto a puxava pela mão para comprarem ingressos. Entraram no teatro, era um teatro de médio porte e o ingresso permitia que eles sentasse na platéia, pois havia os ingressos onde a platéia ficava de pé. Eles sentaram ao lado do outro, e ficaram conversando enquanto a peça não começava, Isaac explicava que era a 5º vez que ele assistia à uma peça da Brodway. Quando as luzes apagaram, Isaac tocou a mão de Lívia e apertando disse: - Vai começar. Ela olhou para a mão dele em cima da dela e sentiu-se feliz com aquilo. O clima entre os dois era leve, divertido e ao mesmo tempo sensual. Isaac sabia imprimir isso muito bem, sem que soasse como descaramento. Várias vezes ele fazia comentários sobre a peça no ouvido de Lívia e a voz dele baixa e pausada fazia com que ela se arrepiasse inteira. Quando o espetáculo terminou Lívia disse: - Nunca vi nada parecido Adorei. Obrigada por ter me trazido. – Ela o olhou nos olhos e ele sorriu. - Eu sabia que você ia gostar. Vamos esperar um pouco aqui até a maioria das pessoas saírem e então a gente sai também. – Ele disse. - Ei sumido! – Ela se meteu entre os dois que estavam de pé conversando enquanto esperavam o teatro esvaziar. - Oi Sara! – Isaac falou sem jeito. – Essa é Lívia Ohara! Sara olhou Lívia dos pés a cabeça e disse. - Nem raparei que você estava acompanhado querido. – ela se jogou para cima dele. - Pára com isso Sara! – ele disse sério. – Bom eu preciso ir. Vem Lívia. – Ele puxou Lívia pela mão para longe dali. Sara ficou olhando boquiaberta. Não tinha acreditado que ele havia deixado ela falando sozinha. Sara ter aparecido justamente quando Isaac quase revertera à primeira impressão de Lívia fez o passeio dos dois esfriar um pouco. Agora eles estavam andando para onde haviam estacionado o carro. Isaac ainda segurava a mão de Lívia, enquanto ela ficava quieta. - Eu tenho que te pedir desculpas por “aquela cena” lá dentro. Eu... - Você não me deve nenhuma explicação. – Lívia falou. - Eu devo sim. – Ele se colocou em frente a ela. – Estamos saindo juntos pela primeira vez como amigos e eu não queria que o que houve estragasse nada. Saí com você e estou com você até o fim da noite. – Ele disse. Lívia sorriu. - Tudo bem. Esquece! – Ela disse. Voltaram a andar ainda de mãos dadas. - Posso te perguntar uma coisa? – ele disse. - Claro. – Ela respondeu. - Eu consegui fazer você mudar sua opinião a meu respeito? – ele perguntou rindo. - Não. Não conseguiu. Continuo te achando perigoso. – Ela respondeu sorrindo. – Depois da “Sara” então.. - Ah... vamos fazer de conta que os últimos 15 minutos não existiram nessa noite. O que acha? – ele propôs. Lívia respirou fundo e sorriu. - Acho que posso tentar. - Então eu vou perguntar de novo: Eu consegui fazer você mudar sua opinião a meu respeito? Lívia riu. - Acho que você conseguiu me fazer pensar a respeito. – Ela falou. – Melhor assim? - Acho que por hora posso me contentar com essa resposta. – ele sorriu malicioso. Só mais uma coisa.... – ele fez uma pausa. – Pelo menos você já não tem mais medo? Não é? - É, não tenho mais... – ela falou. – Eu vi que você não morde. – Ela brincou. E Isaac apenas a olhou. Logo entraram no carro e depois se dirigiram para a casa de Lívia, quando chegaram, Isaac parou o carro em frente ao prédio e desligou as chaves ficando um silêncio de alguns segundos onde ambos sabiam, aquele era o ponto crucial do encontro. - Espero ter feito você se divertir hoje! – Ele falou virando-se para ela e rindo. Era charmoso o jeito dele olhá-la e rir. Era como se ele pudesse vê-la sem roupa. - Me diverti muito. – ela falou um pouco constrangida, mas tentando não demonstrar. No íntimo sentia uma excitação crescer dentro dela. Não queria admitir, mas ele sabia fazer uma garota se divertir. - Acha que podemos nos divertir assim mais vezes? – ele perguntou e tinha um jeito moleque de fazer isso. - Acho que sim. Você se comportou bem. – Ela disse. – Tirando a “Sara”. - Você disse que esqueceria aqueles 15 minutos. – ele falou sorrindo. - É verdade! – ela concordou. Ela a olhou por um tempo, estudando sua fisionomia e comportamento. Por experiência, Isaac sabia que Lívia estava sentindo o mesmo que ele: “a imensa vontade de um beijo”. - Fiz um tremendo esforço para me comportar, porque você está linda. – ele disse a olhou nos olhos como se pudesse ler a sua alma e ajeitou uma parte do cabelo dela para trás da orelha. E Lívia entendeu aquilo tão bem que sentiu um calor subir pelo corpo dela inteiro e um alarme soando bem forte dizendo que ela tinha que dar o fora dali o mais rápido possível, antes que tudo saísse de controle. - Eu preciso ir. – ela falou nervosa e sentindo que estava pisando em terreno perigoso. – Boa noite. – Ela o agradeceu com um beijo no rosto. Isaac sentiu o beijo dela como se um ferro quente em brasa o tocasse na pele, ele a desejava muito e estava disposto a quebrar a regra porque percebeu que Lívia o correspondia. Ela, por sua vez, ao tocar o rosto de Isaac com os lábios fechou os olhos e desejou poder fazer o mesmo nos lábios dele. Como no sonho, mas sabia que ele não era confiável, embora fosse extremamente atraente e sedutor. No fundo, ela desejava ardentemente que ele a tomasse nos braços e lhe desse um beijo. Mas antes que ela pudesse se afastar e sair do carro, ele a segurou pelo braço. Nesse momento o coração de Lívia quase saiu pela boca. - Você está esquecendo sua bolsa. – Ele falou sorrindo cinicamente. - Ah sim. Obrigada. E Lívia saiu do carro. Tremia de desejo por ele como jamais tremera na vida por alguém. - Droga!!!! Porque eu não esperei um pouco mais. – Ela subiu para seu apartamento. Entrou e se jogou no sofá. - Não posso me esquecer que ele é mulherengo. Acho até que foi por isso que aquela “Sara” apareceu. Para que eu não me esquecesse...Porque Deus, eu já estava esquecendo... Ela falava sozinha consigo mesma. Cinco minutos depois que ela havia entrado, ouviu o toque da campainha. Estranhou aquilo. E andou até a porta para olhar no olho mágico. Quando viu que era Isaac, sentiu um frio percorrer a espinha ao mesmo tempo em que o calor que estava quase calmo, incendiou-a novamente. - Oh meu Deus... Ela respirou fundo e abriu a porta. Isaac que estava parado olhando para o chão, levantou a cabeça para olhá-la e o olhar dos dois podia incendiar um estádio de futebol em 5 segundos. - Aconteceu alguma coisa? – Ela perguntou nervosa. - Aconteceu sim. – Ele respondeu e entrou segurando-a pela cintura e olhandoa-nos olhos disse. - Acho que eu mordo! – Então ele empurrando-a para dentro enquanto fechava a porta com os pés. Encostou-a na parede para em seguida beija-la nos lábios. Lívia sentiu o corpo arder em febre e explodir de desejo ao mesmo tempo em que lutava com a razão para conter a explosão dos hormônios. Ela fez um tremendo esforço para empurrá-lo e conseguiu o afastar por alguns milímetros. - O que você está fazendo? Pensei que fossemos amigos. – ela disse enquanto ele ainda a beijava. - E somos. – ele respondeu, e continuou a beija-la. – Mas eu quero mais que amizade. – Ele disse. - O que quer então? – ela perguntou por perguntar. - Você é uma garota inteligente, Lívia. Sabe bem o que eu quero e eu sei que você também quer. Ele a beijou novamente dessa vez com mais paixão, enquanto suas mãos percorriam com delicadeza o corpo dela. Isaac a envolvia de um jeito que era inebriante e irresistível. - Não! Pare por favor... – ela pediu sussurrando. Isaac parou no mesmo instante de beijá-la e segurou seus cabelos enquanto puxava sua cabeça para trás e a olhava nos olhos. Ele a tinha sob seu controle, o corpo dela o queria, mas ela lutava para não aceitar isso, ele precisava vencer a razão. Olhou a nos olhos e a beijou nos lábios sugando o lábio inferior de Lívia enquanto mexia o quadril dele no dela de um jeito provocante. - Quer mesmo que eu vá embora? – Ele perguntou com uma voz sedutora enquanto dava mais um beijo. Aquilo estava matando Lívia, e Isaac acabara de dar o golpe de misericórdia. Quando ele mexeu ambos os quadris, ela perdeu o último controle que lhe restava e quando os olhares se cruzaram ela soube... era tarde demais para qualquer resistência. Ela o beijou e deixou que o desejo a controlasse e juntos eles se entregaram sem pudor ou resistência àquela paixão que os consumia. “As vezes para apagar um incêndio, é necessário deixar o fogo arder!” |
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http://fanfiction.rovana.com.br 18/01/2008 |