MALLEUS MALEFICARUM
A maldição das bruxas

 
CAPÍTULO 02 - O mau agouro

 

New Haven, Connecticut, Estados Unidos da América

 27 de outubro, ano atual

Taylor andava pelo campus da faculdade, havia acabado de sair da biblioteca onde passara a tarde estudando para a prova de metafísica que teria no dia seguinte. Estava na faculdade há três anos devendo concluí-la em mais dois, se considerava um bom aluno e morava na sede da KeG, uma fraternidade muito famosa e popular entre os estudantes. Ele não era um cara feio, muito pelo contrário. Tinha os traços finos, os olhos azuis como o mar aberto. Cabelos claros, não muito curtos. Era alto, mas fazia o tipo forte sem ser excessivamente musculoso.

Seria um dia como outro qualquer se não estivesse nas vésperas do dias das bruxas. O próprio campus da faculdade de Yale estava repleto de cartazes em seus murais indicando festas e eventos comemorativos no fim de semana.

Ele andava tranqüilo na companhia do colega de classe Willian e os dois conversavam depois de deixar a última aula que tiveram. Não eram muitos os alunos que estavam no campus aquele horário.

- Estou te falando Tay... o cara sumiu... desapareceu. Ninguém sabe dele! – Willian disse com uma expressão assustada no rosto.

Taylor olhou para o rosto do amigo e sorriu.

- Calma Will, por que está tão assustado?

- Sei lá, Matt não é o primeiro cara que some nas vésperas do dias das Bruxas. Lembra o ano passado? Foram quatro caras que desapareceram.

- Isso foi ano passado. Matt está bem. – Taylor tentou tranqüilizar o amigo. – A propósito, alguém ligou na casa dos pais dele? Ninguém some assim! – Ele disse aquilo e expulsou certos pensamentos sobre os quais não queria refletir.

- Não sei... – Willian respondeu. – Acho que não.

- Talvez seja bom ligar, quem sabe ele não esta lá. – Sugeriu Taylor.

- É uma idéia! Tomara que ele esteja bem. – Will disse ainda assustado. - Vou indo então Tay... Nos vemos amanha. – Se despediu ao tomar caminho.

- Ok... até mais Will. – Taylor respondeu e seguiu em direção ao estacionamento onde deixara seu Jeep Wrangler.

Era pouco mais de cinco da tarde e o sol começava a desaparecer. O Jeep estava sem a capota então Taylor apenas jogou os livros no banco de trás e entrou no carro. Ao colocar a chave no contato, viu uma cena que lhe chamou a atenção: três garotas de parar o transito rodeavam Erick Balfour. Taylor riu, só podia ser brincadeira. Erick era o cara mais esquisito da turma dele de metafísica, o cara era um completo zero a esquerda, no mínimo seria divertido ver a cena então, resolveu esperar e curtir.

As garotas acariciavam Erick nos cabelos, nos braços enquanto ele, que parecia confuso, tentava entender o que se passava.

- Parece até que o cara nunca viu mulher na vida... – murmurou Taylor ainda sorrindo e achando graça do jeito desengonçado de Erick.

Uma delas, uma ruiva, era quem mais conversava com o rapaz, parecia querer que ele as acompanhasse.

Taylor se recostou no banco para curtir melhor, ia ser engraçado contar para os amigos da fraternidade depois. Melhor, talvez fosse legal filmar para depois mostrar a eles. Tirou o celular do bolso e ajustou o aparelho que imediatamente começou a gravar.

A ruiva continuava a acariciar Erick, era linda, os cabelos vermelhos, lisos, pele uniformemente alva e vestida de forma incrivelmente sexy sem ser vulgar.

Enquanto filmava, o zoom permitia que Taylor visse claramente tudo como se fosse um filme, os lábios da ruiva beijando o pescoço de Erick de uma forma que Taylor reconheceu... Já sentira um beijo como aquele e a cena o deixou um pouco atordoado pelas lembranças que trazia. Após alguns minutos, Erick finalmente resolveu ceder aos encantos das moças.

- Já não era sem tempo! Se fosse comigo, eu já teria feito alguma coisa. – Taylor resmungou, ficou excitado só em ver. – Vai ver é por isso que não acontece comigo. – Lamentou.

As três garotas e Erick começaram a andar em direção ao estacionamento, a garota ruiva e a morena conversavam com Erick que parecia sentir-se no paraíso diante de tanta atenção. Uma outra garota, loira de cabelos lisos e curtos, andava alguns passos à frente e olhava para os lados como se fosse uma guarda costas, como se estivesse fazendo algo que não queria que ninguém visse.

Taylor achou estranho aquele comportamento e ao reparar ao redor notou um silêncio quase fantasmagórico no ambiente. Só então percebeu que não havia mais ninguém no estacionamento, era como se todos houvessem sumido de repente. Algo dentro dele gritou para que ele se escondesse e sem questionar muito seus instintos, se abaixou no carro e viu quando os quatro entraram em um Audi A4 preto e com um insulfilme tão negro que não se podia ver o que estava acontecendo em seu interior.

Ele continuou escondido como se aguardasse que algo acontecesse, a luz de ré traseira do Audi se acendeu e o carro lentamente começou a se mover. Havia alguma coisa estranha acontecendo, ele não sabia identificar o que era. Jamais vira aquelas garotas no campus... A emoção lhe dizia para não se envolver, mas a razão o impulsionava a seguir o Audi, alguns segundos de indecisão e então sem pestanejar ele rodou as chaves na ignição do Jeep e o motor roncou.

O Audi saia do local onde estava estacionado e se dirigia para a saída. Taylor esperou um pouco para poder segui-lo. Assim que o Audi ganhou velocidade Taylor manobrou o Jeep e saiu de sua vaga disposto a ir atrás.

O estacionamento era grande e por isso para ganhar a rua os veículos precisavam deixar os bolsões de estacionamento e seguir em frente virando a esquerda, onde teria uma rua em linha reta que levaria a avenida principal. O Audi já estava na rua em linha reta e o Jeep de Taylor fazia a curva para entrar nela também quando, sem saber explicar o porquê teve sua atenção desviada para outro ponto do campus.

Apesar de estar longe, viu claramente uma garota parada próximo a uma árvore, vestida com uma longa capa preta que cobria o corpo revelando apenas o rosto. Ela não lhe parecia estranha e assim como ele, também tinha sua atenção voltada para o Audi. A jovem se escondeu atrás da árvore quando o Audi passou por perto indo em direção a saída.


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A situação estava ficando cada vez mais estranha. O jeito como ela olhava para o Audi era suspeito. Taylor estava atento a jovem quando como se um imã a atraísse, ela voltou seus olhos para ele. Embora estivessem distantes um do outro, assim que a garota o encarou ele sentiu um arrepio percorrer o corpo. Já vira aqueles olhos antes...

“Samantha...”

Aquele nome fez o coração palpitar dentro do peito. Tantas lembranças ligadas a ele... Havia semanas que Taylor deixara aquela história de lado, que procurava não pensar em Samantha e desistido de acreditar que o que acontecera com ele fora real. No entanto, lá estava ela, mesmo sem vê-la completamente ele sabia que era ela, a garota do Porão. A garota com quem passara a noite mais incrível da sua vida, por quem se apaixonara e que simplesmente sumira depois sem deixar rastro fazendo-o pensar que tudo não passara de um sonho ou imaginação. A constatação de que era ela foi sentida por ele como um baque causando uma mistura de dor e felicidade.

Foi por um breve momento que se encararam, a garota pareceu ficar perturbada com a troca de olhares, olhou novamente para o Audi e em seguida ela fez um pequeno gesto com as mãos e imediatamente o motor do Jeep desligou parando no meio do caminho. Novamente ela encarou Taylor e pareceu sorrir tristemente. Ele tentou chamá-la, mas era como se a voz estivesse presa. Sem entender o que se passava e quase que mecanicamente, Taylor tentou girar a chave na ignição e fazer o motor ligar, mas o carro simplesmente não funcionava.

Enquanto isso o Audi saia do estacionamento e sumia na rua. O grasnar de um corvo tirou-o de seu transe chamando sua atenção. O pássaro estava parado, como se olhasse para ele do alto de uma árvore. A distração foi rápida, apenas o instante de desviar os olhos de um ponto para outro e então quando Taylor olhou novamente para o local onde vira a garota que ele juraria ser Samantha, ela não estava mais lá... Um desespero o atingiu.

- Não é possível... – reclamou ficando de pé no Jeep procurando ao redor por qualquer vestígio dela, mas não a viu mais. - Droga! – se chateou. – Era a segunda vez que a perdia.

Voltou a sentar no carro, a cabeça girando nas possibilidades. Sentiu-se estranho, olhou em volta de si procurando por alguém que pudesse lhe dizer que acabara de imaginar tudo aquilo, não podia ser... Mas era... Era Samantha, ele tinha certeza...

Não entendia porque ela aparecera no campus daquela forma depois de tanto tempo e nem porque olhava para o Audi daquele jeito esquisito... mas era ela. E o carro falhara exatamente quando ela mexera as mãos fazendo gestos estranhos ou era surreal demais pensar nisso mas era exatamente aquilo que parecia.

- Não, devo estar ficando louco! – passou as mãos pelo cabelo.

A loucura era a única forma de justificar a forma como ela sumira tão rápido, ela estava bem no meio do gramado do Campus se tivesse que sair de lá para qualquer que fosse a direção levaria pelo menos alguns minutos e isso daria tempo para que Taylor pudesse vê-la. Ela era Samantha, ele tinha certeza... e de alguma forma sentia que ela e as garotas do Audi tinham uma ligação.

Com o coração batendo em descompasso, ele avistou o guarda do campus e então desceu do Jeep e se dirigiu até ele. Talvez ele tivesse visto Samantha, ou Erick ou o Audi, ou talvez o guarda o trancasse em um manicômio por loucura.

- Olá senhor. – disse ofegante e um tanto ansioso.

- Olá. – o guarda respondeu.

- O senhor por um acaso viu uma garota passando... Ela usava uma capa preta e estava mais ou menos ali, perto daquela árvore... – Taylor explicou.

- Não... Eu não vi. – O guarda respondeu confuso.

- Tem certeza? É muito importante! – Ele insistiu.

- Não, não vi nenhuma garota de capa. – o guarda respondeu.

Taylor passou a mão na testa e olhou em volta novamente. “Será que havia imaginado tudo?” E então lembrou de Erick.

- E quanto a três garotas que estavam com Erick Balfour, um cara magrelo e alto... eles saíram em um Audi preto...

- Desculpe filho.. mas minha ronda começou agora e a única pessoa que eu vi por aqui foi você. – disse o guarda olhando para Taylor de forma desconfiada.

- Certo... obrigada. – Taylor agradeceu atordoado.

Sem saber o que pensar, ele voltou para o Jeep e minutos depois tentou novamente girar a chave na ignição e dessa vez o carro funcionou. Acelerou o mais que pode e sem alternativa voltou para a fraternidade.

************

Em pouco tempo Taylor estacionava em frente a uma elegante casa em uma avenida próxima do campus. A casa KeG tinha um estilo colonial, as colunas faziam o gênero Greco-romano, a sede da fraternidade tinha dois andares e lá moravam cerca de 20 membros.

Ele desceu do carro, pegou os livros e entrou na casa. Keith e Peterson estavam na sala jogando uma sinuca. Mas ele ainda estava atordoado com o que acabara de ver, era tudo tão estranho. Resolveu subir direto para o quarto, não estava a fim de papo. A última vez que compartilhara algo do qual não podia provar com os amigos não deixara boas lembranças.

Já em seu quarto foi até a janela e a abriu deixando que uma brisa fresca entrasse, parecia que lhe faltava o ar, não parava de pensar nos olhos castanhos de Samantha. Para onde ela teria ido?

As vezes até Taylor duvidava de que realmente existisse uma Samantha. Jamais entendera seu sumiço ou sua aparição na vida dele. E havia tantas coisas sobre ela que ele não sabia: Quem era? Onde nascera? Onde morava?

Cansado de tentar encontrar respostas ele deitou na cama e então lembrou de Erick... Quem eram as garotas com ele? Por que agiam de um jeito suspeito? Samantha teria alguma coisa a ver com elas?

A cabeça latejou com tantas perguntas sem respostas. Tudo o que ele sabia sobre Samantha se resumia em uma única noite, uma noite que ele jamais conseguiu provar a alguém que aconteceu.


Algumas semanas antes...

O Porão era um bar muito conhecido dos universitários. As pessoas gostavam de ir para lá porque tinha um estilo underground. Lá se podia jogar uma sinuca, beber, conversar, e paquerar. Ou seja, tudo que os jovens estudantes gostavam.

Taylor estava lá com alguns amigos da KeG. Havia acabado de perder uma partida de sinuca, então resolveu refrescar a garganta.

- Ah.. to fora! Vou tomar uma cerveja! – disse afastando-se indo em direção ao bar. – Uma cerveja Joey! – pediu ao barman que imediatamente abriu uma garrafa de uma cerveja do tipo longnek e o entregou.

A cerveja gelada desceu fazendo caricia na garganta de Taylor deixando uma sensação boa de refrescancia.  Após beber alguns goles, ele se ajeitou no balcão para dar uma olhada... Eram quase dez da noite, mas meia hora e ele deveria ir para casa. Tinha aula no dia seguinte. Enquanto reparava nas pessoas que estavam no Porão aquela noite, pensava que talvez a sorte estivesse no amor e não no jogo já que havia perdido praticamente todas as partidas de sinuca que jogara.

Os olhos azuis vasculhavam os recantos do bar, as seis mesas de sinuca lotadas de jogadores, cada mesa devia ter pelo menos quatro jogando. Ao redor das mesas algumas garotas que provavelmente ou eram namoradas ou ficantes dos caras que jogavam. Nas mesinhas que compunham o bar, não havia muita gente, apenas alguns casais conversando. No bar, dois caras que estavam muito bêbados a ponto de ser impossível entender o que diziam, e além deles tinha uma garota.

Taylor até piscou para ter certeza de que realmente estava vendo uma garota, não porque fosse uma garota, mas porque era “a garota”. Branca, usava maquiagem pesada nos olhos, cabelos negros como a noite e linda como ele jamais vira antes. Era quase inacreditável que ela estivesse ali e simplesmente ninguém a notasse, ou os caras eram moles ou gays. Ela era tão bonita que ele não conseguia parar de olhá-la.

A jovem estava parada em um canto não muito movimentado do bar. Olhava fixamente para um ponto e embora algumas pessoas passassem por ela, parecia que ninguém era capaz de notá-la. Taylor sorriu, realmente a sorte devia estar no amor. Bebeu mais um gole da cerveja para criar a coragem que precisava e se aproximar.

Largou a cerveja na bancada do bar e começou a andar a passos lentos em direção a jovem. A medida que se aproximava, os traços finos dela ficavam mais nítidos revelando uma beleza clássica e sem excesso.

- Oi. – ele a cumprimentou e sorriu de forma sedutora.

A jovem o olhou sem entender, tinha uma expressão confusa no rosto. Chegou a olhar para os lados para se certificar de que era com ela que ele falava.

- Meu nome é Jordan Taylor. – ele se apresentou.

Ela o encarou brevemente e então franziu o cenho como se estivesse desorientada. Sem dizer nada ela simplesmente o deixou e se dirigiu a saída.

- Garota difícil. – Ele sorriu após murmurar para si mesmo e então foi atrás dela. Ela era interessante demais para que ele a deixasse ir sem esforço. Só conseguiu alcançá-la quando ela quase já passava da porta.

- Espera! – ele pediu segurando-a pelo braço. – Desculpe. – pediu soltando-a ao notar o ar de reprovação dela. – Eu só queria conhecer você, nunca vi você por aqui. É caloura? – ele perguntou para tentar puxar papo. Na verdade, agora estava se sentindo um verdadeiro babaca. Nenhuma cantada boa lhe via a mente. E ele precisava arranjar uma forma de dete-la.

- Não. – ela respondeu,  a voz era  rouca. – Não sou caloura. – sorriu como se lembrasse de algo divertido.

- Você realmente tem que ir embora agora? – ele perguntou.

- É tarde. – ela apenas disse.

- Posso te levar em casa. Estou de carro e na boa não é seguro ficar andando sozinha a essa hora. Ainda mais sendo linda como você é. – ele foi sincero.

- Tenho certeza que posso me defender se for necessário. – Ela respondeu de um jeito ameaçador e então se virou para ir embora.

- Ei!- Taylor chamou, não podia deixá-la ir sem ao menos saber quem era ela, se poderiam se ver novamente. – Pode me dizer ao menos qual é o seu nome? – perguntou.

- É melhor você esquecer que me viu. – ela disse encarando-o firmemente.

Taylor abriu e fechou os olhos confuso.

- Desculpe, fiquei tonto de repente. – Se desculpou. – Eu não poderia te esquecer, mesmo que quisesse... – disse voltando a  olha-la.

A garota o encarou surpresa e em seguida parecia desapontada e curiosa. Taylor enfiou a mão no bolso para procurar um papel, uma caneta, queria dar o telefone a ela, mas não tinha nada. Olhou para dentro do bar indeciso e disse.

- Espera aqui. Não vá embora. Eu só vou pegar um papel para anotar meu telefone. É rápido. – disse voltando a entrar no bar novamente.

- Joey, me empresta uma caneta e um guardanapo por favor! – Pediu e olhou em direção a porta desejando que ela estivesse lá ainda esperando por ele.

- Eu anotei meu telefone... – Disse um pouco ofegante. – Mas realmente gostaria de te conhecer melhor, podíamos ir tomar um café... conheço um lugar ótimo aqui perto. – Taylor insistiu.

A garota olhava com interesse quando disse:

- Não sei como você consegue...

- Consegue? – ele perguntou sem entender.

- Como disse que se chamava? – ela perguntou mudando de assunto.

- Jordan Taylor. – Ele sorriu, finalmente ela parecia dar uma abertura. – E você? – ele perguntou.

- Samantha. – Respondeu.

- Só Samantha? – ele perguntou.

- Samantha Vaughn. – Ela completou.

- Bonito nome. – Ele sorriu. -  E então Samantha, diga que não vai recusar meu convite e vai aceitar tomar um café comigo? Eu sou inofensivo! – disse.

- Tenho certeza que é! – Ela riu e em seguida olhou para os lados e parecia apreensiva.

- Não sei se posso...- disse.

- É só um café. –Taylor insistiu com olhos brilhantes e notou que ela balançou. – Gosta de cappuccino, a cafeteria que eu conheço faz um ótimo. – ele continuou para não dar chance de ela negar.- Não vamos demorar...

- Ok, só um café. – ela falou.

Mais o que rolou depois foi muito mais que um simples café, quando Taylor se deu conta ele estava com Samantha em um quarto de hotel. Ela não só era bonita e inteligente, mas era misteriosa também. Falara pouco durante a estada dos dois na cafeteria, no entanto, parecia extremamente interessada nele e lhe fez muitas perguntas. As vezes ela o olhava bem nos olhos e dizia coisas como se lhe desse uma ordem e então quando ele respondia ela o olhava desapontada.

- O que foi, não gostou do que eu disse? – ele perguntou tocando o rosto dela.

- Não... não é isso...Você é diferente dos outros... – Ela respondeu sem jeito mas sem tirar os olhos dele.

- Espero que isso seja um elogio e eu não tenha falado muita besteira. - Taylor sorriu.

A noite já ia alta, ele esquecera completamente que tinha prova na manha seguinte e já não esperava nada além de conseguir o telefone dela para um segundo encontro quando decidiram ir embora. Samantha quis pegar um taxi, mas Taylor insistiu em deixá-la em casa. Para surpresa dele, pararam em frente a um hotel.

- Você mora em um hotel? – ele perguntou surpreso.

- Estou de passagem...  – ela limitou-se a dizer.

- Então você não mora em New Haven? – ele perguntou aproveitando a oportunidade.

- Não... eu não costumo ter um endereço fixo. – ela disse. – Quer entrar? – perguntou sorrindo.

Taylor quase não acreditou no convite. Já tinha dado a noite como encerrada e estava satisfeito com o rumo das coisas.

- Não vou importuná-la? – Ele perguntou. Se fosse outra garota provavelmente ele não faria objeção. Mas com aquela garota ele queria mais que uma noite...Ela tinha algo a mais...e ele queria descobrir o que era...

- Não. – ela respondeu.

O quarto, decorado com tons cor de carne e bege era amplo com dois ambientes, uma ante-sala e um segundo ambiente onde ficava uma cama grande de casal.

- Quarto bacana! – ele elogiou quando entrou fazendo-a sorrir.

- Sente-se. Eu vou colocar algo mais confortável. Pode aguardar? – ela perguntou.

- Claro. – Taylor respondeu.

- De onde você é afinal?  – ele perguntou assim que ela retornou.

- Inglaterra... – ela respondeu enquanto se dirigia ao bar e pegava uma garrafa despejando em um copo pequeno um conteúdo denso e verde. – Aceita um licor de menta? – perguntou virando-se.

- Licor? – Ele perguntou. Definitivamente ela era diferente...

- Sim... Eu mesma fiz. – Ela sorriu.

Taylor a observou e então se aproximou pegando o pequeno copo e antes de levá-lo aos lábios olhou-a sentindo ímpetos de beijá-la. O liquido tinha um sabor delicioso, Taylor até fechou os olhos para aproveitar e quando abriu, o quarto estava na penumbra e três velas o iluminavam.

Como ela havia feito aquela mudança no ambiente tão rápido? Ele se questionou, mas não deu tanta importância aquele detalhe.

- Gasta da luz assim? – ela perguntou com certo receio.

- Oh sim... deixa o ambiente mais aconchegante. – Ele respondeu. A situação estava ficando melhor do que ele esperava.

Após beber mais um gole do licor sentiu-se incrivelmente relaxado, como se todos os músculos do corpo tivessem sido massageados.

- Como se sente? – Ela perguntou como se estivesse curiosa.

- Relaxado... – ele respondeu tentando não pensar muito sobre o que estava rolando.

Ela sorriu parecendo satisfeita e então o puxou pelas mãos tomando o copo de Taylor e recolocando em cima de uma mesa. Depois, fez com que Taylor se sentasse no sofá para em seguida repousar em seu colo virada para ele que adorou aquela posição, os quadris ficaram próximos e Samantha ficou um pouco mais alta de forma que ele conseguia ver o formato dos seios pelo decote do robe de seda vermelho sangue que ela usava. Não havia garota como ela...  Ela era diferente de todas as garotas que conhecera...

- E agora, como se sente? – ela perguntou maliciosa e lhe beijou o pescoço fazendo-o se arrepiar por inteiro com o calor que emanava seus lábios na pele fina dele...

- Excitado... – Ele respondeu honestamente lambendo os próprios beiços. Estava louco de vontade de beijá-la, mas ela parecia se divertir tomando a iniciativa de forma que ele resolveu não estragar a diversão dela. – Isso é bom... – ele murmurou quando os lábios dela chegaram ao lóbulo da orelha.

Samantha beijou o lábio superior dele delicadamente e o chupou. Então passou para o outro lado do pescoço repetindo o que fizera anteriormente. Taylor deslizou as mãos sob as pernas dela até as coxas suspendendo o robe e constatando que ela não vestia mais nada. Ele suspirou e agarrou o corpo dela, queria grudar, possuí-la, consumi-la se fosse possível.

A garota agarrou Taylor pelos cabelos e puxou sua cabeça para trás delicadamente e então encarou os olhos azuis, cheios de desejo e sem resistir ela se entregou ao beijo. E naquela noite Taylor conheceu prazeres que ele sequer imaginava existir.

No dia seguinte, acordou em seu próprio quarto na KeG mas não lembrava de como havia ido parar lá.  Recordava claramente de Samantha e da noite magnífica que tivera, sua última lembrança, era a de adormecer ao lado dela.

Sentiu-se confuso com a mudança, para ele, repentina. Ao levantar da cama, viu a roupa que usara na noite anterior dobrada e disposta em cima de uma cadeira. Estranhou aquilo, jamais dobrava a roupa antes de dormir.

Após um banho revigorante, desceu para tomar café. Encontrou Keith, com quem dividia o quarto, na cozinha lendo a seção de esportes do jornal enquanto tomava café.

- Ei Taylor... chateado por ter perdido tanta grana ontem? – Keith perguntou debochado.

- Não perdi tanto... parei de jogar no momento certo. – Taylor falou com certa arrogância. - Conheci uma garota incrível ontem. – disse em seguida sorrindo.

- Ontem? Quando? Você saiu de novo? – Keith perguntou confuso pois lembrava-se de ter voltado para casa de carona com Taylor.

Taylor riu pensando ser uma brincadeira.

- Como assim sai de novo! Você já tomou seu café preto hoje? Keith... estou falando de ontem a noite. – disse brincalhão.

- Eu também. – Keith largou o jornal. - E não me lembro de você com garota alguma. Você me deu carona, não lembra? – Disse batendo o jornal no ombro de Taylor. – Acho que você andou sonhando...

Dito isso largou o jornal na mesa e já ia saindo da cozinha quando Taylor o deteve.

- Peraí, peraí!  - riu sem graça. – Eu não te dei carona ontem a noite! – afirmou.

- Claro que deu! Estávamos no Porão e jogamos até tarde. Ganhei cem pratas de você e então viemos para casa... – Keith afirmou e tentou seguir caminho, mas novamente Taylor o deteve.

- Espera! Você está dizendo que eu voltei com você para casa ontem... Ontem quando jogávamo sinuca no Porão? – Perguntou atordoado.

- É é isso que eu estou dizendo!  Você não lembra? – Keith o olhava confuso.

- Não.. eu eu realmente não lembro. O que lembro é de ter conhecido uma garota no bar e sair de lá com ela... nós tomamos um café e..

- Tay... ontem você ficou conosco.. a noite toda. – Keith o interrompeu.

- Não... eu sai de lá.. tinha uma garota ... o nome dela era Samantha...- Taylor disse em tom de desespero.

- Não havia garota alguma.... – Keith Achou graça. -Acho que você sonhou... –  riu e então saiu.

- Não eu não sonhei. – Taylor murmurou sozinho e confuso.”

- Taylor... está tudo bem? – Keith perguntou interrompendo seus pensamentos.

A expressão perplexa no rosto de Taylor, rememorar todas aqueles acontecimentos, havia de certa “despertado” o que ele procurou deixar adormecido.

- Estou com um pouco de dor de cabeça, mas vou tomar um comprimido, logo deve passar... – Explicou Tay que voltou para a realidade.

- É isso que dá ficar no campus estudando até tão tarde. A Chris ligou para você.  – avisou Keith.

Instintivamente Taylor tocou o bolso da calça e tirou o celular de dentro. Havia 14 ligações não atendidas de Chris.

- Eu acho que não ouvi quando tocou. Depois ligo para ela. – Taylor sentou na cama ainda pensativo. Pensar em Samantha doía mais do que qualquer coisa.

- Cara você espera para sair com essa garota tem um século, agora que ela está na sua, você fica dando mole para o azar. – Keith começou a falar mas parou quando percebeu que o amigo parecia aéreo. - Tem certeza que é só dor de cabeça? – Keith perguntou preocupado.

- Aconteceu uma coisa hoje... – Taylor começou.

- O que?  - Keith perguntou curioso.

- Eu vi o Erick Balfour saindo do campus com três gatas. – Taylor resolveu contar do inicio.

- Não brinca! – Keith debochou. – Só pode ser caridade! Eram gatas mesmo?

- De parar o transito. – Taylor reafirmou com ar de preocupação.

- Fala sério Taylor! Erick Balfour!!!

- Mas é verdade, vi com meus próprios olhos. Erick Balfour e três garotas lindas cada uma com uma cor de cabelo diferente.

- Nossa, isso é estranho mesmo. Erick não pega nem uma mongol como a Beth. Deve ser por conta de um trabalho ou aulas particulares. É isso que está te grilando?

- Mais ou menos... – Taylor respondeu evasivo.

- Quem eram elas? – Keith perguntou.

- Não conheço. Não lembro de tê-las visto no campus.  – Taylor comentou e baixou os olhos procurando rememorar o que havia visto.

- Mas que sorte tem o desgraçado do Erick. – Keith comentou e então notou que a preocupação ainda estava estampada no rosto de Taylor. – Tay, o que está pegando?
 
- Tinha mais uma! – Taylor voltou a falar.

- Mais uma o que?

- Mais uma garota. Ela apareceu depois, não estava com as outras mas ...

- Mas??? – Keith disse ancioso.

- Nada... – Taylor achou melhor não falar que achava que a garota era Samantha e que achava que ela havia feito o carro dele parar para que ele não seguisse o Audi A4, no mínimo Keith iria debochar dele e fazer piada a respeito daquilo com os outros membros da fraternidade como já fizera antes. – Só que a garota era linda e bom fiquei pensando nela...  Acho que já a vi antes. – Ele disse outra coisa embora também fosse verdade.

Aquela resposta pareceu convencer Keith.

- Se você já a viu uma vez antes, é provável que ainda vá encontrá-la. É isso que está pegando?

Taylor deu um sorriso torto.

- É, quem sabe. – disse.

- Vai sair hoje? – Keith perguntou mudando de assunto.

- Por quê? Vocês vão fazer alguma coisa? – Taylor devolveu.

- Abriu uma danceteria nova então, eu, Mike e o Alan vamos ver qual é a do clube. E você, vai encontrar a gostosa da Chris? – Keith deu um tapinha no ombro de Taylor.

“Chris”, Taylor não queria ir vê-la, mas já havia marcado. Além do mais ficar com Chris talvez o ajudasse a tirar aquela história estranha da cabeça...

- É, vou ver Chris, como você falou é melhor não dar moleza para o azar.  –Taylor tentou brincar.

- É isso ai cara! – Keith concordou e os dois bateram as mãos em cumprimento.

********************

Era tarde quando Taylor passou no alojamento do campus onde Chris Black morava. Chris estava no segundo ano de economia. Era bonita e havia sido dificílimo para Taylor conseguir que ela lhe desse atenção embora para ele, garotas nunca haviam sido de fato um problema. Chris dera um pouco de trabalho porque se valorizava, no que fazia bem. Taylor gostava de mulheres que se valorizavam. Mas as garotas sempre dificultavam no inicio para depois virarem monstros grudentos e exageradamente possessivos, exceto Samantha, se é que ela existia, com ela fora o contrário... Transou no primeiro encontro e depois não a viu mais... Vai ver por isso ela não parecia ser real.

Aquela era uma noite bem esperada para Taylor, há dias havia planejado cuidadosamente várias vezes aquele terceiro encontro. Geralmente era no terceiro encontro que rolava uma transa e mesmo com toda aquela expectativa de “noite com sexo”, Taylor não parava de pensar em Samantha e nas garotas que haviam saído com Erick.

Ele estacionou o carro e ligou no celular de Chris para avisá-la que já estava esperando. Em poucos minutos, ela entrava no carro, branca de cabelos longos e encaracolados, olhos verdes, usava um vestido preto e salto alto. Taylor sempre gostara de mulheres com cabelos escuros, mas depois de Samantha elas passaram a lhe chamar muito mais a atenção. É parecia que a noite com sexo ia rolar.

O restaurante Michelangelo era famoso por sua boa massa italiana e Taylor queria muito deixar Chris confortável e satisfeita, era uma formula prática para ter uma noite selvagem. Agradar a garota antes para que ela lhe agradasse muito depois. Comeram uma massa leve e beberam uma garrafa de bom vinho, Chris falou bastante e em muitas vezes Taylor em vez de escutá-la muito sutilmente fazia cara de quem estava prestando atenção e tornava a lembrar de Samantha. Após o jantar, o maitre se dirigiu até a mesa deles e perguntou.

- Sobremesa?

- Não. Queremos a conta apenas! – Taylor disse sem olhar para o homem.

Assim que o maitre saiu, Taylor encarou Chris com os olhos azuis brilhantes e deu a cartada final.

- Comprei uma sobremesa especial para nós dois. – Sorriu malicioso.

Chris que não era boba nem nada entendeu rapidamente o recado. Pouco tempo depois os dois entravam no quarto de Taylor se agarrando e beijando ferozmente. Chris tirou a blusa dele desabotoando os botões enquanto ele baixava as alças do vestido negro dela revelando os seios fartos.

Não demorou muito, os dois estavam na cama. Chris beijava o pescoço de Taylor que estava sob ela, e então ele a penetrou fazendo-a gemer. O corpo dele iniciou sob o dela um vai e vem frenético, a sensação boa que só o sexo tem tomou conta da mente dele que fechou os olhos arqueando a cabeça para trás, aquilo era bom. Mas ao voltar a abrir os olhos em vez do rosto de Chris ele viu o rosto de Samantha...

Atordoado, ele fechou novamente os olhos e ao reabri-los era Chris novamente, mas aquela mudança súbita o perturbou e a transa embora continuasse boa, ficou longe de ser o que ele esperava.

*********************

Taylor acordou de mal humor, havia ido levar Chris em casa e voltado, estava chateado consigo mesmo por não conseguir tirar aquela história da cabeça, alias, Samantha.

Tinha receios de compartilhar com alguém o que de fato ele vira e voltar a ser chacota como quando conheceu Samantha. Além do mais sabia que ninguém acreditaria nele se ele falasse que suspeitava que o carro tinha falhado por culpa dela e que além disso ele desconfiava que havia algo errado com as garotas que saíram com Erick. A verdade é que Taylor aprendera duramente que se você não consegue provar, é melhor não acusar.

Sentia-se um tolo, por continuar a pensar em alguém que o ignorara e o deixara no escuro, se é que este alguém era real. Taylor já não sabia mais no que acreditar. Considerava tudo o que vira um absurdo e quando se colocava no lugar de qualquer pessoa que ouvisse aquela história da boca de outrem concluía que também ia achar tudo muito improvável. Estava extremamente irritado por ter deixado que aquilo estragasse uma noite planejada e desejada há dias. Ele tomava um café na copa, quando Mike entrou.

- A noite foi boa? – perguntou pegando um xícara de café.

- Foi e a sua? – Taylor respondeu. Jamais admitiria que a noite ficou longe do que imaginou.

- Boa também... Quem se deu bem foi o Keith. – Mike sentou-se puxando a cadeira.

- Ah é? Pegou quantas ontem? – Taylor achou ótimo a mudança de assunto.

- Três gatas lindas...  – respondeu Mike sorrindo.

- Três? Uma a cada quantas horas? – debochou Taylor.

- Ah! Aí é que está. Foram três de uma vez só! – Mike se vangloriou como se fosse ele quem ficara com as três.

Taylor cuspiu o café na pia... Aquilo lhe soou conhecido.

- Três garotas? Cada uma com uma cor de cabelo diferente? – ele perguntou intrigando e interessado.

- Acho que se eu estivesse tomando café também teria tido essa reação. – Riu Mike. – Mas é isso mesmo, você as conhece? – Mike perguntou curioso com a adivinhação de Taylor.

- Não... – Respondeu preocupado. - Mas se forem quem estou pensando que são, posso dizer que as vi outro dia com Erick Balfour.

- Aquelas garotas com Erick Balfour?  - Mike disse incrédulo, como se Taylor acabasse de pronunciar uma heresia. - Tenho certeza que estamos falando de garotas diferentes. Garotas como aquelas não saem com um Erick Balfour.

- Seria muita coincidência se não fosse as mesmas. – Taylor insistiu. – Você concordou quando eu perguntei se as três tinham a cor do cabelo diferente.

- É eu concordei... Mas isso não prova nada...  – disse Mike.

Taylor ficou apreensivo com aquele papo.

- De qualquer maneira você poderá vê-las e comprovar que não eram as mesmas. – continuou Mike.

- Como assim? – Taylor ficou interessado.

- Keith as convidou para vir aqui em nossa festa na véspera do dia das bruxas.

- Você está brincando!? – Taylor disse incrédulo e ao mesmo tempo excitado com a possibilidade.

- Não estou não! – Mike sorriu maliciosamente.

- E elas vem?

- Claro. – Garantiu Mike.

Taylor sorriu e sentiu o coração bater forte. Se realmente fossem as mesmas garotas, talvez ele pudesse provar que Samantha era real.

- Mike, não havia uma quarta garota com elas? – perguntou tentando soar casual.

- Quarta garota?

- É. Branca, cabelos negros, olhos castanhos! – Taylor gesticulou.

- Que eu saiba não... – Mike responde após um breve momento. – Se bem que havia uma garota de cabelos escuros com elas.

Taylor lembrou que no grupo das três que estavam com Erick, havia uma garota também de cabelos escuros. Provavelmente Mike se referia a ela.

- É.. pode ser que sejam a mesma. – ele disse. - Onde está o Keith? – Perguntou mudando de assunto.

- Bom ele saiu com elas ontem. Deve estar fazendo um handevou em algum lugar... É o que eu faria! – disse Mike.

- Ele ainda não voltou? – O tom de Taylor era de preocupação.

- Não esquenta Tay... Eram três gatas, eu também não voltaria no lugar dele. – Mike riu.

Taylor não parecia tão convencido.

- Bom, hoje é quinta. Tenho prova de metafísica. – Comentou e olhou no relógio. Eram oito e trinta da manha, a prova seria as dez. – Preciso ir... prefiro chegar um pouco mais cedo e dar uma revisada. – disse se levantando e saindo.

- Vai lá... Boa prova. – Mike gritou.

Embora a prova tivesse lhe dado um bom álibi, Taylor não estava indo para o campus tão antes do teste a toa. Ele pretendia passar no alojamento de Erick e verificar se estava tudo bem. Não parava de pensar na expressão da garota loura quando as outras o levavam para o carro... Havia algo incomum nela. Além do mais se fossem as mesmas garotas e Erick estivesse bem, seria provável que Keith também o estivesse. E havia a possibilidade do colega zero esquerda saber sobre Samantha...

Ao chegar ao alojamento, Taylor ficou inseguro quanto a bater. De repente sentiu-se ridículo por estar preocupado com dois caras que haviam saído com garotas lindas... Que mal que poderia haver naquilo? Será que estava ficando paranóico? Já não bastava ter se apaixonado por uma garota que todos julgavam não existir, agora estava vendo coisas onde provavelmente não havia nada. Mas ele também queria saber sobre Samantha...

- Que besteira!!! – murmurou para si se achando um otário. O que ele ia perguntar?

“Erick por um acaso você transou com uma garota ontem de nome Samantha?”

Era ridículo, ele não ia perguntar aquilo... Decidiu dar meia volta e saiu em direção ao prédio onde seria a prova de metafísica.

*****************************

Quando o professor Howard entrou com os papeis das provas, a sala estava praticamente lotada, exceto pela cadeira vazia onde Erick Balfour costumava sentar.

Até o momento de inicio da avaliação, Taylor esperou que Erick entrasse pela porta para realizar o teste, mas nada disso aconteceu. A prova começou e a carteira dele continuava vazia.

Durante a avaliação, Taylor procurou se concentrar nas questões, mas vez ou outra seus olhos vagavam para a carteira vazia. Quando terminou, juntou suas coisas e foi entregar a prova para sair.

- Professor Howard. – disse ao colocar o teste na pilha em frente ao professor.

- Pois não Hanson.

Taylor ajeitou a mochila nas costas sem jeito.

- O senhor sabe o que aconteceu com Erick? Ele não costuma faltar. – observou.

O professor olhou para Taylor e depois para a carteira vazia.

- Não sei. Deve estar doente. Erick é um bom aluno. – disse o professor com casualidade.

- É eu sei, mas é que o senhor sabe um garoto desapareceu esta semana... E como eu disse... Erick não costuma faltar... – Taylor insistiu.

O professor Howard o olhou intrigado.

- Você sabe de alguma coisa que eu não sei Sr. Hanson?

A pergunta o remeteu a sensação conhecida de desconfiança que Taylor experimentara antes.

- Não sei de nada... eu só.. fiquei preocupado. – Apressou-se em dizer. - Obrigada professor. – agradeceu e saiu o mais depressa que pode.

Estava aflito. Tinha certeza que havia visto Erick com três garotas e agora ele havia sumido, ou pelo menos não aparecera para a prova o que já era suspeito. Keith, seu amigo, saira com três garotas e também não havia voltado para a fraternidade. Seria loucura ficar preocupado com aquilo. Alguma coisa lhe dizia que não.

Ao passar pelo corredor do laboratório, Taylor viu Willian e uma idéia lhe ocorreu.

- Ei Will... – Taylor o chamou.

- Oi Tay.. tudo bem?

- Beleza cara... escuta.. conseguiram encontrar o Matt?

- Você não soube? – Willian parou e perguntou assombrado.

- Soube do que?

- Encontraram o Matt! – Will respondeu. – Morto! – disse e olhou para os lados. – Ele estava sem o coração.

- O que?

- É isso mesmo... a policia encontrou o corpo dele ontem a noite.

- Tiraram o coração dele? –Taylor perguntou sentindo uma náusea crescer.

- É... Agora o caso está com a policia. Eles acham que deve ser algo relacionado a roubo de órgãos. – explicou Will. – Eu não sei...

Taylor sentiu o estomago revirar e com medo de passar mal na frente do amigo resolveu dar o fora o quanto antes.

- Ok... brigada Willian! Eu preciso ir...

Taylor se despediu de Willian rapidamente tentando não pensar em Matt, depois daquela conversa, ficou realmente preocupado com o sumiço de Erick... E se realmente fosse uma quadrilha de traficantes de órgãos e aquelas garotas fossem uma espécie de “isca”. Decidiu passar novamente no alojamento do colega desaparecido e dessa vez tentaria o contato.

Ao chegar no alojamento, Taylor bateu a porta e não obteve resposta. Não havia ninguém lá, e na lousa branca que ficava pendurada na porta do dormitório para o caso de alguém querer deixar recado, nada escrito.

Ele forçou a maçaneta da porta e ela realmente estava fechada. Sem alternativa, pegou o pincel e escreveu.

“Erick, preciso falar com voce. – Taylor (da aula de metafísica) 5555-896585”

Agora só restava esperar.

 

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19/11/2007