A GAROTA DO TÊNIS AMARELO
 
CAPÍTULO 03
 

Ao chegarem à estação de Edimburgo, Taylor e Cate estavam muito íntimos devido às últimas horas compartilhadas. Saíram do trem abraçados e sorridentes e trocando vez ou outra beijos carinhosos.

Cate ficou maravilhada com a estação de Edimburgo, o que a levou a querer fazer vários passeios pela cidade e curtir mais o companheirismo recém descoberto.

Mas Taylor precisava ir até a casa da tia dele, e isso o deixava preocupado, pois sabia que levar a Cate junto seria ter que dar explicações.

-         Cate, eu preciso ir a cada da minha tia May. Mas não posso levar você, pois minha tia conhece a Melissa e eu não quero problemas. – Ele falou.

A Cate que estava feliz e contando com vários passeios românticos por Edimburgo, não gostou muito e ficou um pouco contrariada, fez um olhar pensativo e propôs:

-         Tudo bem Tay, mas você não pode dizer a sua tia que eu sou uma colega de trabalho e que viemos juntos por coincidência no trem. – A Cate queria ir junto de qualquer jeito.

-         Não acho uma boa idéia Cate. – Taylor falou com receio.

-         Por favor Tay, estou morrendo de vontade de tomar um banho. Fora que assim eu economizo um pouco para o restante da minha viagem.

-         Cate, você sabe o que está me pedindo?

-         Sei, para ser bonzinho comigo! – ela falou e o abraçou.

-         Não Cate, está me pedindo para mentir para minha tia. – Ele disse ainda abraçado a Cate.

-         É uma mentirinha à toa. – ela insistiu.

O Taylor suspirou, não seria fácil convence-la. Então ele pensou um pouco e achou que talvez não tivesse problema.

-         Ok Cate, mas você tem que se comportar. – ele se afastou um pouco e sorriu maroto - Ah.. outra coisa, eu trabalho na BlumenDails e sou arquiteto Ok?

-         Ok, eu prometo me comportar! – ela beijou os dedos fazendo sinal de cruz e continuou – Arquiteto, certo e eu sou o que? Tem que ser algo bem legal! – ela sorriu.

-         Legal, um deixe-me pensar... – ele a abraçou e começou a andar em direção a saída da estação. – Que tal treinee? – Ele riu.

-         Ah não treinee não. – ela disse brincando. – Não posso ser arquiteta como você?

-         Você sabe algo de engenharia civil? – ele perguntou.

A Cate pensou um pouco como se vasculhasse o cérebro em busca de algo que indicasse que ela conhecia alguma coisa e disse pesarosa.

-         Não.

-         Certo, então vai ser Treinee que está bom demais. – ele disse e fez um carinho paternal na cabeça dela e os dois continuaram caminhando abraçados.

No caminho o celular de Taylor tocou a musiquinha tema do filme Love History. O Taylor olhou no visor do celular é viu que era a noiva. Rapidamente ele soltou a Cate.

-         É a Mel. – Taylor falou feliz enquanto desacelerava os passos ficando um pouco atrás para falar com Melissa enquanto fazia um gesto para que Cate continuasse andando.

Ela ficou chateada com a interrupção e torceu um pouco a cara, enquanto ia andando na frente e ele ficava passos atrás falando com Melissa, só desligando o celular quando estavam chegando à casa de tia May.

-         Pensei que não fosse desligar nunca. – A Cate reclamou e o Taylor fingiu não escutar pois estava começando a conhecer o gênio da Cate e não queria problemas.

Assim que eles chegaram a uma elegante construção antiga, o Tay tocou a campanhia e logo a porta se abriu.

-         Taylor querido! Que bom que você chegou! – A tia May o abraçou e percebeu Cate logo atrás.

-         Tia May, quanta saudade. – eles se separaram. – Essa é Cate, uma colega de trabalho.

Tia May sorriu para Cate e lhe estendeu a mão para um aperto. As duas se cumprimentaram cordialmente. Em poucas horas Cate e Taylor já haviam tomado banho e a Tia May preparado algo para comerem. Os três sentados à mesa, conversavam alegremente. Vez ou outra Tia do Taylor perguntava por Melissa ou fazia menção a seu nome, e notava que Cate fechava um pouco a cara. Após o almoço a Cate insistiu para ela e Taylor darem uma volta, no que ele concordou.

Mal ficaram a sós a Cate já puxou o Tay e o beijou longamente.

-         Eu já estava com saudade de beijar você.  – Ela disse ainda pendurada a pescoço dele.

Aquela revelação deixou o Taylor um pouco preocupado.

-         Cate, Cate... espero que você não esteja se apaixonando. – Ele a olhou desconfiado.

-         Deixa de se bobo, anda vem, me dá mais um beijo. – Ela o puxou para si novamente.

Ela era assim, impulsiva, gostava de dizer as coisas na hora em que tinham que ser ditas, sem meias palavras, e de viver cada momento como se fosse o último. Porém, quando a Cate ia beijá-lo, o telefone tocou novamente e novamente a garota do tênis amarelo escutou a musiquinha tema do filme Love Story. Já sabendo quem era do outro lado da linha ela segurou a mão de Taylor assim que ele pegou o celular e pediu.

-         Não atende! Por favor!

-         Não dá! É a Mel. Eu tenho que atende-la. – ele falou e saiu de perto.

A Cate ficou olhando ele se afastar, e sentiu a primeira pontada do bichinho chamado ciúme picar-lhe as entranhas. Desolada ela sentou na calçada e ficou olhando a vida passar. Uns trinta minutos depois o ele se aproximou, tocando-lhe o ombro.

-         Pronto, vamos passear? – Ele disse com um sorriso.

- Vamos. – Ela concordou. – Posso te chamar de lindinho? – ela perguntou o abraçando pela cintura enquanto eles andavam.

-         Não se você quiser que eu atenda. – ele respondeu rindo.

-         Ok lindinho... – ela repetiu feliz por ter a atenção dele só para ela novamente.

-         Cate Cate... – ele riu.

Assim os dois seguiram para um museu, onde olharam várias obras de arte. Sempre abraçados, e a Cate sempre chamando lindinho para cá e lindinho para lá, chamando Taylor para ver cada peça que ela achava interessante.

Saindo do museu, eles resolveram tomar um sorvete. E quando estavam entrando na sorveteria, novamente Melissa ao telefone. E novamente o Taylor se afastou para falar com a noiva enquanto a Cate já perdia os pudores de mostrar contrariedade. Nessa brincadeira foram mais uns 20 minutos. Finalmente quando o lindinho voltou a Cate deu um suspiro para que ele percebesse que ela não estava gostando das interrupções que a Mel causava.

-         Vamos ao sorvete então? – ele chamou tentando acalmar os ânimos da dona do tênis amarelo.

-         Vamos né! – ela disse

Ela e o Taylor compraram sorvete, e sentaram em uma pequena mesinha da sorveteria.

-         Museu bacana não? – ela falou.

-         Muito. – Ele respondeu e comeu uma colherada do sorvete.

-         Lindinho, me deixa provar do seu? – ela pediu.

-         Ué, você não comprou um para si? – ele falou só para provocá-la.

-         Comprei, mas isso não me impede de provar um pouco do seu sorvete. – ela disse com olhos gulosos olhando para o sorvete do Tay.

-         Está bem. – ele pegou uma colher e meteu no sorvete para em seguida oferecer a Cate.

-         Não, não.. eu quero daqui. – ela falou apontado para a boca do Tay e sorrindo maliciosa. No que ele prontamente atendeu e comeu o sorvete e em seguida a beijou.

-         Hum.. delicia! – ela disse.

E o Taylor sorriu. Era divertido ficar com a Cate, ela era leve e pouco formal. Fazia-o se sentir a vontade para fazer brincadeiras que normalmente sua noiva Melissa detestava. Como a do sorvete, Melissa jamais comeria algo da boca do Taylor, ela ia achar extremamente nojento.

Após comerem seus respectivos sorvetes, eles continuaram o passeio, dessa vez por um parque. Passearam em volta a um lago, parando vez ou outra para trocarem um beijo. As pessoas que os viam jamais diriam que se tratava de duas pessoas que se conheciam há pouco tempo. Muito pelo contrário. A garota do tênis amarelo e o lindinho formavam um casal entrosado como poucos. Infelizmente novamente o celular de Taylor tocou, e dessa vez a Cate não teve como segurar a irritação e o ciúme.

-         Essa garota vai ficar ligando toda hora é?

E o Taylor a olhou desolado, as interrupções de Melissa também começavam a chateá-lo. Mas enfim ela era noiva dele. Assim, ele se afastou novamente enquanto a Cate sentava à sombra de uma das árvores do parque para esperá-lo terminar de conversar ao celular.

A Cate ficou pensativa dessa vez, em outras situações com outras pessoas, ela nunca sentira tanto ciúme e desconforto como estava sentindo. Ela olhou para Taylor que estava a muitos metros de distância com o celular no ouvido e sentiu que com ele era diferente. E isso a entristeceu, pois sabia que ele não estava disponível.

O lindinho voltou minutos depois com um sorriso no rosto.

-         Vem, vamos continuar nosso passeio. – Ele a segurou pelas mãos.

-         Vamos.

Ela disse com um fiozinho de voz e em meio a um suspiro. Dessa vez Taylor entendeu que ela precisava dar lhe uma explicação. Ele estava começando a se importar com ela. Pacientemente explicou que a noiva comprava algumas coisas para o casamento e tentava por meio do telefone, saber a opinião dele.

No fundo o Tay estava começando a desconfiar que Cate estava confundindo a relação deles, mesmo assim deixou para pensar nisso depois. O resto da tarde, eles passaram entre carinhos, paisagens, beijos e abraços. E vez ou outra ligações de Melissa que deixavam a Cate louca embora ela procurasse a todo custo dissimular.

Voltaram para a casa da tia May já quase noite, com a desculpa de que visitaram alguns possíveis clientes da BlumenDails. Mais tarde, após um banho seguido de um delicioso jantar, cada um foi para o seu quarto. Embora a Cate tenha dito ao Taylor que iria ao quarto dele depois que todos dormissem, isso não aconteceu. Taylor trancou a porta e quando ela bateu, ele fingiu estar dormindo. Ele fez isso porque estava começando a se preocupar com os sentimentos da Cate. Aquele discurso dela de que não se apaixonaria por ele estava começando a cair por terra. E ele também estava começando a ficar com medo de se apaixonar pela garota do tênis amarelo.

Ela voltou para o quarto chateada, teve ímpetos de bater na porta do quarto do Tay, gritar, mas sabia que se fizesse isso, ela estragaria tudo. Intimamente ela estava contando com uma noite de amor com Taylor para quem sabe “conquista-lo”. Ela estava começando a admitir para si que havia perdido um pouco o controle da situação. E que aquela relação com Taylor estava mesmo mexendo com ela. Aquele dia junto dele haveria de ser um dos mais inesquecíveis da vida dela, que adormeceu relembrando cada momento dividido com ele.

No dia seguinte a garota do tênis amarelo acordou falando apenas monossílabos com Taylor. Ela estava muito chateada com a rejeição dele e resolveu dar um basta. Assim que eles saíram da casa da tia May ela falou.

-         Escuta Tay, eu estava pensando e acho melhor daqui em diante cada um seguir seu rumo.

-         Por que Maluquinha. – ele perguntou todo carinhoso embora soubesse a resposta.

-         Porque eu acho melhor assim. – Ela tentou ser dura.

-         Qual é, vai desistir da aposta. Está com medo de se apaixonar por mim? – ele usou o mesmo argumento que ela, deixando a sem jeito de admitir que isso já estava acontecendo.

-         É claro que não! – Ela gritou. – Você acha mesmo que eu ia me apaixonar por você, um cara todo formal, que passa mais tempo com a noiva ao telefone do que vivendo no mundo real, e que ...

-         E que? – ele perguntou.

-         Nada... – Ela disse.

-         Você sabe muito bem que eu não sou nada disso, e sabe, eu acho sim que você ia e está se apaixonando por mim. Eu pareço besta Cate, mas só pareço.  – ele falou seguro do que estava dizendo.

-         Não estou não. – Ela falou fazendo birra.

-         Está... está sim. – Ele disse e a puxou para um abraço.

-         Não estou. – Ela choramingou.

-         Então vamos seguir o plano até o fim. Se você diz que não está, então porque mudar de planos? – ele a desafiou.

A Cate estava em uma enrascada. Era obvio que ela estava se apaixonando, embora não quisesse admitir. Pensou por alguns segundos em uma resposta e decidiu que se fizesse as coisas da maneira certa, talvez ela tivesse uma chance de conquistar o coração do seu lindinho.

-         Tudo bem. – ela concordou por fim sem ter muita certeza do que estava fazendo. Aquela brincadeira estava começando a ficar perigosa.

E o Taylor a puxou para um beijo. Ele estava gostando muito da companhia dela. Ela era diferente de tudo que ele já havia conhecido.  Diferente até de Melissa, que era parecida com ele. Metódica.

-         Mas com uma condição. – ela falou.

-         Qual?

-         Tenta não ficar muito tempo com a Melissa no telefone. Quero esse tempo para mim. Afinal estamos viajando juntos. – Ela propôs porque achava que os telefonemas de Melissa estavam atrapalhando de forma que o Tay não conseguia se concentrar somente nela. E a Cate tinha esperanças de que sem telefonemas, o Tay seria seu.

-         Posso pensar um pouco?

-         Não. – ela foi firme. – Se for para você continuar a atender os telefonemas, nos separamos aqui mesmo. – Ela olhou para ele como se esperasse uma resposta que não veio.

-         Muito bem! - ela disse. – Foi legal conhecer você. – E dizendo isso ela se voltou na direção contrária e foi andando.

O Taylor ficou parado olhando, indeciso, estava confuso. Queria a Cate, mas não podia abrir mão da Melissa. Estava tão gostoso ficar com a Cate. Ela era divertida, ir até Dublim sem ela seria um saco. Ele reconhecia que realmente os telefonemas da noiva de hora em hora estavam atrapalhando, mas precisava pensar em algo que justificasse ele não atender os telefonemas dela. Então pensou e resolveu que ia dizer que o celular ficou sem bateria e ele perdera o carregador, assim poderia ligar para Mel do orelhão mais a noite.  Apressado ele correu atrás da Cate para impedi-la de deixar, mal se deu conta de que ele também estava começando a se apaixonar pela garota do tênis amarelo.

-         Cate!!! – ele gritou enquanto corria.

Ela olhou para trás e sorriu. Enquanto ele se aproximava falando ofegante.

-         Ok, eu topo! Mas eu preciso ligar para Melissa a noite antes de dormirmos, ok?

-         OK. - Ela concordou e ele a puxou para um beijo.

Eles partiram rumo a Dublin, a Cate convenceu Taylor a fazer uma parada de 1 dia em Belfest, e ela desistiu de ir a Inverness. Iam curtindo aquela história de ficar sem compromisso. Namorando bastante no trem durante o trajeto até Belfest. Até que o Taylor adormeceu. A dona do tênis amarelo, fitou o rosto tranqüilo dele dormindo e se tocou de que era tarde demais, ela já havia se apaixonado.

-         Mas eu não posso... ! Ela disse baixinho enquanto uma lágrima caia do seu rosto.

Então ela se levantou e saiu para se acalmar, um turbilhão de sentimentos tomavam conta dela.

-         Que droga!!! Eu não podia, não devia ter me apaixonado. E agora??? O que eu vou fazer? Ele é noivo!

Desolada ela sentou em uma poltrona vazia, e ficou um tempo lá remoendo seu amor proibido.  O Taylor acordou alguns minutos depois e não encontrou a Cate por perto. Foi então que ele sentiu um frio na barriga. Teria ela desistido de prosseguir com ele?

-         Cadê a maluquinha? – Ele perguntou para si preocupado.

Uma senhora que notou a preocupação dele disse:

-         Sua namorada saiu faz uns 20 minutos. Acho que ela estava triste, pois estava chorando.

-         Tem certeza? – ele perguntou.

-         Tenho sim.

E o Taylor saiu em busca da sua maluquinha. Ele andou por uns vagões e acabou por achá-la sentada em um poltrona.

Assim que a Cate o avistou, ela limpou o rosto, mas não conseguiu disfarçar os olhos inchados.

-         Oi! – ela tentou sorrir.

-         Oi. – Ele sentou ao lado dela e a abraçou – Está tudo bem?

Ao ouvir essa pergunta do Taylor ela definitivamente desabou.

-         Não, não está tudo bem. Está tudo uma droga!

-         Calma Cate, o que houve?

-         Taylor, não sei como isso foi acontecer, alias, eu sei sim. Você é o cara mais incrível que eu já conheci na vida, e ...

-         Calma, calma... eu to aqui. Fica quietinha. – ele disse, pois temia o que ela tinha para dizer.

-         Não Tay.. eu preciso falar ....

Foi então que ele a olhou prestando atenção nos olhos chorosos dela.

-         Desculpe Tay... eu não consegui.. eu me apaixonei por você.


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