A GAROTA DO TÊNIS AMARELO |
| CAPÍTULO 02 |
- E por que eu deveria voltar a sentar com você? – Taylor perguntou ainda chateado. - Oras, por que eu não quero ficar sozinha lá; Por que eu gostei de você desde que a gente se conheceu e por que eu estou aqui me humilhando te pedindo desculpa. – A Cate falou por fim tentando ser o mais sincera possível. - Não sei; Acho que é melhor cada um ficar para o seu lado, estamos juntos a menos de duas horas e já brigamos duas vezes.. – ele afirmou. O senhor que dormia ao lado de Taylor acordou enfezado com o barulho e disse: - Será que vocês dois podem ir discutir em outro lugar. Eu quero dormir. - Anda Tay.. vamos comigo... – A Cate pediu toda melosa... - Acho melhor não! – ele afirmou. - E se eu prometer que vou ficar quieta e não vou mais incomodar você.. você vem? – ela insistiu. O Taylor deu um longo suspiro. - Anda logo rapaz... vai com a moça... mas o que acontece com a juventude de hoje? No meu tempo se uma moça convidasse um rapaz para sentar-se junto dela ele ia logo... agora os jovens ficam fazendo corpo mole. – O senhor que “dormia” ao lado do Taylor se meteu. A Cate começou a rir quando o Taylor já ia começar a explicar para o senhor o motivo de ele estar sentado ali e não querer ir junto com ela. Ela riu e chamou... - Vem vamos logo Tay. – E o fez levantar e pegar as malas – Vai na frente. – Ela mandou e o Taylor obedeceu. A Cate então piscou e disse baixinho para o senhor que tentava dormir ao lado de Taylor. - O senhor está coberto de razão... mas é que meu amigo aqui não é um cara normal sabe.. - É mesmo... o que ele tem? – O senhor perguntou interessado. - Ele não gosta de mulher. – ela disse sussurrando deixando o velhote de queixo caído E seguiu o Taylor. Os dois juntos voltaram ao lugar que antes ocupavam. - Eu ouvi. – O Taylor disse... - Ou viu o quê? – Cate perguntou. - Eu ouvi você dizendo ao velho que eu era gay. - Ah.. foi brincadeira... – Ela disse olhado e sorrindo para ele. - Brincadeira de mau gosto. Escuta aqui Cate.. quem diabos é você.. o que você quer de mim.. por que está me perseguindo desde que nos conhecemos... – ele já ia começar a brigar de novo quando a Cate o interrompeu com um beijo na boca. A primeira reação do Taylor foi o de arregalar os olhos e ficar imóvel... mas à medida que a Cate o beijava ele foi deixando de ficar rígido e quando finalmente estava começando a entender o que acontecia a Cate parou de beijá-lo. - Desculpe.. foi a única forma de calar você. – Ela explicou. O Taylor engoliu seco e disse: - Curioso esse seu jeito de fazer a gente calar. – ele estava envergonhado. - É.. eu sei... é o único meio que eu conheci até hoje que funciona em 100% dos casos. – ela riu. - Não vai me dizer que você beija mulheres para elas se calarem também? – ele perguntou e riu. - Claro que não... – ela riu de volta. E o clima ruim foi embora. O Taylor olhou no relógio e disse: - Só mais uma hora e chegamos em Edimburgo. A propósito, o que você vai fazer lá? – ele perguntou. - Bom, na verdade estou indo para a França, mas vou passar por Edimburgo, Inverness, Belfest e Dublin, minha ultima parada antes de ir para a França. Sou mochileira.. e você? - Estou indo para Dublin também mas vou passar em Edimburgo pois tenho uma tia lá. – ele explicou. - Que ótimo, podemos ir juntos até Dublin.. – Cate sugeriu. - Não.. não acho que seja uma boa idéia. – Taylor explicou. - Por que não? É perfeito. Assim nem eu e nem você viajamos sozinhos. Um faz companhia para o outro. – Cate estava vibrando com a idéia. - Cate, eu não posso! – Taylor falou sério! – Não fica bem... sou noivo... não posso ficar por ai viajando com uma estranha, eu tenho um compromisso... – ele explicou. Cate o olhou séria também. - Sabe o que eu acho Taylor? – ela disse desafiadora. - Olha, pouco me importa o que você acha! – ele disse calmo irritando-a. - Mas eu vou dizer mesmo assim. – A Cate tinha o gênio difícil. – Eu acho que você está com medo! - Medo? Medo de que sua maluca? – O Taylor perguntou. - Medo.. medo de uma simples viagem com uma desconhecida bagunçar seu mundinho organizado e perfeito... sabe por quê? Porque no fundo talvez você não sinta tanta segurança assim nesse relacionamento que você tem.. afinal se houvesse realmente segurança não haveria problema algum de viajarmos juntos até Dublin. - Besteira! – Taylor disse. – Eu não tenho medo de nada disso. Eu amo a Mel. Vou me casar com ela. Eu a respeito... não gostaria que ela ficasse viajando com estranhos de trem, portanto procuro não fazer com os outros o que eu não gostaria que fizessem comigo. - Viu! Viu – Cate vibrou após ouvir a resposta de Taylor. – Um relacionamento sólido não se abalaria por causa disso... sua noiva diz que ama você, mas você não confia que ela o ame o suficiente para viajar com um desconhecido e não se apaixonar por ele.. e por isso você não quer viajar comigo.. por que você acha que ela também sente esse medo que no fundo é tão seu quanto dela. O Taylor ficou meio perdido no meio da explicação da Cate. - O que? Então você acha que a Mel ia se apaixonar por um desconhecido se viajasse com ele? – ele perguntou. - Eu não.. quem acha é você. – Cate explicou. - A Mel me ama. Ela não faria isso.. - Ok ok.. a questão não é a Mel.. a questão agora é você.. você tem medo de se apaixonar por mim caso vá comigo até Dublin? - É claro que não! – O Taylor respondeu mas ainda pensava no fato de a Mel se apaixonar por um desconhecido como sugeriu a Cate nas afirmações loucas que ela fazia. – Eu me apaixonar por uma garota doida que aparece do nada... falando mil bobagens.. que usa um ridículo tênis amarelo e que ainda por cima beija estranhos como forma de mantê-los calados, como a pouco você fez! Eu não me apaixonaria por você nem que você fosse a última mulher da face da terra. - Prove! – Ela desafiou. - Ãh.. – ele perguntou de novo. - Fica comigo! – Ela disse enquanto o segurava pelo pescoço e o puxava para um beijo. A princípio o Taylor não correspondeu ao beijo, mas assim que a Cate começou a acariciar sua nuca e mordiscar seus lábios enquanto o olhava, ele acabou cedendo. Era a segunda vez que Cate o beijava. E dessa vez o Taylor tirou proveito da situação, e os dois ficaram se beijando até chegar em Edimburgo, parando apenas quando o apito do trem soou avisando da chegada. - Nossa, minha boca está dormente. – A Cate disse assim que parou de beijá-lo. - A minha também. – Taylor concordou. – Acho que nunca fiquei tanto tempo assim beijando alguém. A Cate começou a rir. - Então, quer ficar comigo por um dia! – ela falou sorrindo. Taylor não teve como dizer não depois daquele beijo, aliás, depois do beijo, ele passou a ver a Cate com outros olhos, era a primeira vez que conhecia alguém tão maluquinha como ela. - Ok. Você me convenceu. Mas eu quero deixar claro uma coisa Cate. Sou noivo, e não vou deixar minha noiva ok? – ele disse. - Ok. – Ela concordou. A Cate não tinha intenção nenhuma de namorar o Taylor, ela só estava curtindo. A resposta dela deixou o Taylor mais tranqüilo, afinal estava jogando limpo. Não era mesmo intenção dele trocar Melissa pela maluquinha da Cate. |
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