A GAROTA DO TÊNIS AMARELO
 
CAPÍTULO 01
 

Cate caminhava até uma pequena cabine de vendas de passagem de trem. Fazia três meses desde que ela desembarcara no aeroporto Heathow de Londres.

Havia ido para melhorar seu inglês. Morou em Brighton nos últimos três meses, escolheu ficar nessa cidade por que era próximo de Londres e não era tão cara, e apenas duas horas de ônibus separam as duas.

Sempre que tinha um feriado, ela ia passear em Londres. Naquele dia ela havia acordado cedo para apanhar o primeiro trem para Edimburgo na Escócia, na verdade, Cate não havia dormido direito, ela estava ansiosa demais para começar a nova etapa da aventura. Uma viagem de mochila por alguns lugares da Europa.

- Uma passagem para Edimburgo por favor. – ela pediu.

O bilheteiro lhe entregou o bilhete, que Cate guardou cuidadosamente no bolso – leia-se que ela amassou de qualquer jeito – enquanto tentava com a outra mão enfiar o dinheiro dentro da bolsa.

- Senhorita, senhorita – alguém gritou atrás dela.

Cate olhou para onde vinha à voz e se deparou com um rapaz loiro dos olhos claros.

- A senhorita deixou cair isso. – ele disse apontando para o passaporte de Cate.

- Obrigada. – ela sorriu pegando o passaporte do desconhecido. – Você salvou minha vida, não sei como faria essa viagem sem o pass... – Ela parou de falar assim que ao terminar de guardar o passaporte na bolsa e voltar o olhar para o desconhecido notar que estava falando sozinha. Ele simplesmente desaparecera. – Nossa...

Cate ainda procurou dando um volta para ver se achava o estranho, mas não o viu mais.

- Pena, ele era gatinho! – Cate pensou e depois foi se dirigindo até o local de embarque.

Às 08:00 AM o trem Inter City Express, um trem super confortável, como Cate pode perceber, saiu de Brighton rumo a Edimburgo. Cate estava sentada em uma poltrona confortabilíssima. A mochila de 17Kg estava no compartimento em cima de sua cabeça. Uma hora e meia depois, cansada de tanto só olhar a paisagem, ela resolveu levantar e pegar sua mp3, foi quando percebeu dois bancos à frente o estranho que lhe devolvera o passaporte.

- Coincidência, ou destino!!! – Ela falou para si mesma.

Decidiu sentar ao lado dele.

- Oi. – ela disse já sentando. A Cate era assim mesmo bem despachada.

O rapaz fitou-a com as sombrancelhas franzidas.

- Lembra de mim? – Ela disse. – Eu sou a dona do passaporte! – ela afirmou como se pudesse refrescar a memória dele.

- Sim.. lembro.. a garota do tênias amarelo. – Ele respondeu fazendo Cate olhar para os próprios pés e constatar que realmente os tênis que ela usava eram da cor amarela.

- Nossa... você me devolveu o passaporte e lembra de mim por causa do tênis? – ela perguntou tentando entender a associação que o estranho havia feito.

- É... eu olhava para o seu tênis quando vi seu passaporte no chão. Achei esquisito alguém andar com um tênis amarelo como esse. – ele falou naturalmente.

Cate apenas riu.

- Meu nome é Cate, e o seu?

- Taylor... – ele falou.

- Desculpe ter sentado aqui assim, mas eu estava sozinha lá trás. Então eu vi você sozinho aqui na frente e vim aqui te agradecer, afinal de contas você sumiu antes que eu pudesse dizer “obrigada”. Você foi tão bonzinho achando meu passaporte – Ela disse tentando fazer amizade.

- Sem problemas. Só fiz o que era certo. O meu dever.

A Cate achou super careta a resposta do Taylor: “dever”, “o que era certo”. Ele parecia ser charmosamente certinho demais. Ao contrário da Cate, que tinha a cabeça nas nuvens e não ligava muito para nada.

- O que foi? – ele perguntou.

- Você age sempre cumprindo deveres ou fazendo o que é certo? – Ela perguntou.

- Sim. Na maioria das vezes. E sinceramente eu acho que se todos fizessem o mesmo, o mundo não estaria louco como agora. – Ele explicou.

- Entendo. – Ela disse com uma cara como se debochasse.

- Que foi? – ele perguntou.

- Não nada... – ela respondeu.

- Como nada, então por que você está me olhando com essa cara? – ele perguntou.

- Minha cara te incomoda? – ela devolveu a pergunta.

O Taylor não estava entendendo porque de repente a conversa tinha tomado um rumo que ele não estava gostando muito.

- Escuta aqui garota, você senta ao meu lado sem ser convidada e .... – ele ia começar uma longa discussão que a Cate tratou de interromper.

- Ok, ok.. desculpe... – ela pediu - Vamos começar de novo por favor?

O Taylor já estava vermelho de raiva e por isso não respondeu nada...

Eles ficaram conversando mais uns trinta minutos até que a Cate dormiu enquanto o Taylor contava para ela sobre a viagem que ele tinha feito, o papo estava tão interessante que quando o Taylor viu a Cate roncava ao lado dele.

- Que garota estranha. – Ele colocou o fone e tentou dormir também, mas o celular começou a tocar.

- Alô.... Oi Mel.. estou no trem... mais um tempo e chego em Edimburgo... ãh.. barulho... ah.. é um cara aqui na frente que ronca para caramba... – o Taylor olhou para a Cate adormecida roncando e resolveu tapar a boca dela para ver se o barulho diminuía.

- Também Te amo Mel – ele disse meloso. – Não.. eu te amo mais... – Eu amo você a quantidade de gotas do oceano somados as estrelas do céu.... é.. eu te amo mais...

E aquela conversa melosa acabou acordando a Cate, que olhou para o Taylor e o deixou envergonhado.

- Mel.. preciso desligar agora... vou ver se vou ao banheiro querida.. quando eu chegar em Edimburgo em ligo para você.

A Cate já se espocava de tanto rir, deixando o Taylor embaraçado.

- Qual é o problema? – ele perguntou.

- “Eu amo você a quantidade de gotas do oceano somados as estrelas do céu”!!!???? – A Cate repetiu rindo debochadamente – Foi a coisa mais brega que eu já escutei como declaração de amor.

- Pois fique você sabendo que a Melissa adorou ouvir isso. – ele disse fazendo a Cate rir mais.

- Pelo visto você e essa tal “mel” devem namorar a séculos não é? – ela perguntou.

- E o que você tem a ver com isso. – ele perguntou irritado. – Olha me deixa em paz... se eu soubesse que achar seu passaporte ia fazer você grudar em mim que nem carrapato eu nem tinha pego aquela droga do chão. – Ela falou grosseiramente e saiu deixando a Cate rindo loucamente sozinha.

Assim que a Cate viu que o Taylor realmente tinha ido embora, ela ficou chateada por tê-lo deixado tão bravo. No fundo ela não tinha feito por mal. Ela só achou engraçado o jeito dele falar com a namorada. Não entendeu porque aquilo o deixou tão bravo. Então ela resolveu ir atrás dele.

O Taylor estava extremamente irritado.

- Quem essa garota pensa que é.. para agir como se me conhecesse há séculos!!! Quem ela pensa que é para criticar algo que ela não entende... é provável que seja uma recalcada que nunca teve alguém na vida.. e cujo passatempo é perseguir estranhos em trens para tirá-los do sério... – ela ia falando enquanto trocava de vagão procurando um lugar tranqüilo – sem Cate(s) por perto – onde pudesse terminar sua viagem.

Andou por 10 minutos por três vagões até que achou um lugar e sentou. Era ao lado de um senhor que estava dormindo. O Taylor se sentou... guardou a mochila e quando se ajeitou para tentar dormir, escuta uma voz...

- Desculpe... mais uma vez... será que você pode voltar para onde estávamos. Prometo que não encho mais você...

Era a garota do tênis amarelo.


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